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“Ah, o trabalho do homem da terra é pesado. Os seus dias são como de um assalariado. Como o escravo espera ansioso pela sombra de uma árvore, ou como o assalariado espera ansioso pelo pagamento, assim, mês após mês, tenho tido ilusões e longas noites cheias de dor e aflição. Quando vou me deitar, penso: ‘Quem dera já fosse manhã!’ A noite se arrasta, e eu me viro de um lado para o outro na cama, sem poder dormir. “Minha pele está coberta de vermes e de uma casca escura. Feridas antigas voltam a se abrir e ficam cheias de pus. “Meus dias correm mais depressa do que a lançadeira de um tecelão, e são vazios e sem esperança. Lembre, ó Deus, que a minha vida é breve como um sopro; e eu nunca mais voltarei a ver a felicidade. Em breve, meus amigos não me verão mais. Vão olhar para mim, mas não me verão mais no reino dos vivos. Como a neblina que desaparece com o calor, assim os que vão para o reino dos mortos não voltam mais a este mundo; deixam para trás sua família e a casa onde viviam; ninguém mais se lembra deles. “Por tudo isso não posso ficar calado; falarei da tristeza do meu coração, e pela aflição da minha alma me lamentarei. “Por acaso sou eu o mar, ou um monstro furioso, para que o Senhor me vigie sem parar? Quando penso que na cama encontrarei descanso e que o sono aliviará a minha dor, o Senhor me assusta com pesadelos e me aterroriza com visões. Eu prefiro morrer estrangulado a viver sofrendo desse jeito! Já estou cansado da minha vida; meus dias não têm significado. Deixe-me ficar só, ao menos nestes últimos dias de vida. “Afinal de contas, quem é o homem para que o Senhor se interesse tanto por ele e vigie cada um de seus passos? Por que o Senhor nos vigia todos os dias, e coloca o homem à prova a cada novo dia? Até quando vai me vigiar? Quando me dará tempo para fazer as coisas simples da vida sem ser vigiado? Será que o meu pecado incomoda tanto, ó Senhor, que vigia a humanidade? Por que me escolheu como alvo das suas flechas? Por que fez da minha vida um fardo tão pesado? Por que não perdoa o meu pecado e não tira das minhas costas o peso da minha desobediência? Em breve eu me deitarei para dormir o sono eterno; O Senhor me procurará entre os vivos, mas não me encontrará”.

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